A Realidade das Escolas Municipais no Interior da Amazonia


A educação nos países em desenvolvimento não é uma tarefa fácil. A exemplo, temos países como o Brasil, que luta para tentar qualificar seus habitantes, brigando contra a pobreza e a criminalidade ao mesmo tempo. O que sabemos é que uma coisa depende da outra. Se há educação, há maior probabilidade de trabalho e consequente remuneração do trabalhador, dando dignidade às famílias que por sua vez não têm tempo para entrar na criminalidade. É claro que a situação não é tão simples assim, havendo muitos fatores complexos envolvidos. O quadro se agrava mais quando moramos em uma região extremamente diversificada como é a região amazônica, onde grande parte dos alunos do interior tem que pegar barcos, canoas, bajaras para chegarem até a escola. A seguir, a lista de como ensinar na amazônia:
- Tenha um protetor solar com fator de proteção suficiente para aguentar temperaturas muitos elevadas durante o ano todo;
- Possua um creme repelente para passar no corpo, pois os mosquitos não o deixarão em paz;
- Saiba nadar, pois mais de 200 escolas estão em regiões rodeadas de rios;
- Aprenda a comer peixe, pois é o alimento principal e que raramente será substituido por outro;
- Saiba dormir cedo, pois não há energia elétrica em muitos lugares e estudar à luz de velas pode prejudicar a visão;
- Desapegue-se do telefone celular, pois não há antena para suportar os memos;
- Seja amante da educação, pois o desafio é digno de um super-herói;
- Aprenda a gostar da natureza, pois ela será seu principal refúgio;
- Aprenda metodologias de ensino sem o uso de tecnologias que requeiram energia elétrica;
- Esteja disposto a contribuir com uma das regiões mais ricas do mundo, quando se fala em biodiversidade.
A realidade mencionada é a do município de Santarém, no Pará, localidade que fica no coração da amazonia. A administração pública responde por mais de 400 escolas, isso mesmo, 400 escolas das quais apenas 49 encontram-se na zona urbana, sendo todo o restante localizado na área rural. Nesta, mais de 200 escolas encontram-se em regiões que chamamos de Região de Rios, onde até o calendário escolar é diferenciado, uma vez que quem determina quando deve haver aula é cheia dos rios. Muitos alunos saem de casa e vão de canoa até a escola, gastando muitas horas para isso. Em muitos locais não há energia elétrica, sendo a educação portanto feita de maneira rudimentar, mas de maneira satisfatória, pois mesmo com todas as dificuldades, o município se saiu bem na avaliação do Ministério da Educação. Fica aqui o recado para a reflexão dos leitores.

Delicious
Digg
Google
Yahoo